29/07/2010

Por que as folhas caem

outono 

A cada outono, certas plantas e árvores preparam-se para um repouso necessário e vital à sua vida e continuação.

Algumas espécies de árvores matizam-se de várias cores, num maravilhoso contraste entre a melancolia e a beleza extrema. Depois, uma a uma, as folhas caem, como lágrimas, até que as árvores, nuas e tristes, abram os braços ao inverno e esperem, pacientemente, a primavera, que restaurará cada folha caída.

Por que para nós seria diferente? Por que não perder antes de reencontrar, por que não as lágrimas, por que não dias áridos, frios e secos? E por que não a esperança de que a primavera volte? Porque, creiam, ela volta sempre!

Talvez nos julguemos bons demais para receber o sofrimento, como se ele fosse sempre símbolo de castigo e não algo necessário ao nosso crescimento.

As folhas caem e as árvores parecem assim tão desprotegidas, tão solitárias!... e eu me pergunto o que faz com que sobrevivam.

Elas entendem que esse período é necessário à sua renovação. Elas aceitam, doam-se e esperam e recebem de volta, no tempo oportuno.

Assim somos nós com todas as perdas que sofremos, com as lágrimas que escorrem e salgam nossa boca, com o tempo que parece interminável ou as noites longas demais.

Tanto que não entendemos e não aceitamos o sofrimento, ele se prolongará. Tanto que não vemos isso como uma fase, apenas uma fase, a ferida estará aberta e sangrará.

Não aceitar o outono e negar o inverno não faz com que não existam. Apenas nos deixam fora de uma realidade que chega pra todo mundo.

Não somos maus demais para recebê-los como um castigo e nem bons demais para que possamos não acolhê-los.

As árvores perdem as folhas e perdemos os nossos. Elas choram e choramos também. Elas esperam e nada há que nos impeça de esperar.

E elas recebem, a seu tempo determinado, novos galhos e novas folhas, novas flores e novos frutos. Sentem-se assim completas.

Somos assim o que somos e o mesmo Deus que sustenta as árvores, nos sustenta a nós!

E Ele nos poda, nos molda, nos deixa nús e aparentemente sem defesa, mas está sempre presente e estará ainda quando a primavera voltar, quando seremos, depois do inverno frio, renovados e prontos para recomeçar.

Letícia Thompson

9 comentários:

  1. É a constante renovação, na natureza e em nós!! Valeu, Márcia. Bom dia, beijos no seu coração ;)

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  2. amiga muy bune post, me encanto¡¡¿
    besitos y abrazos.

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  3. olá.
    é realmente, assim,não é facil enfrentar o sofrimento, nem os tropeços do dia a dia...mas a unica forma de aprender, de crescer, e só o fazemos sofrendo ...assim florescemos, e nos nornamos mais luminosos.

    beijinho

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  4. Querida Marcia,
    Todas as vezes que visito seu blog me deparo com texto que me fazem parar para pensar. Como este que nos remete a refletir sobre a necessidade de se renovar,trocar a pele, e recomeçar. É doloroso porém necessario.
    Obrigada pelos ensinamentos.
    Beijos, Clarice.

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  5. como siempre, compartes temas muy interesantes.
    besos

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  6. Lindo texto amiga...perfeita comparação entre as arvores e nós...aceitemos cada fase da vida, pois em cada uma delas aprendemos e muito...
    Doce noite pra ti amiga
    Beijinho
    Valéria

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  7. Oi! Realmente só aprendemos tropeçando, é isso mesmo Gostei muito do Blog abraços.
    Arturo

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  8. os beijos foram feitos para serem doados!

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